Acabou seu tempo  escrito em quarta 06 janeiro 2010 20:05

Ai meu Deus como eu pude perder minha validade?

Assim como as coisas, as pessoas deveriam trazer a data de validade. Isso, certamente, iria poupar tempo e desavenças.

Imagina o namoro. No começo o casal em perfeita harmonia. Ela a fina flor de lótus. Ele o mais perfeito galã de novela. Nos primeiros momentos o amor é lindo. Depois as pessoas vão mostrando suas garras, porque carregamos dentro de nós verdadeiros monstros. Ela com TPM constante. Ele com uma grosseria impiedosa. Neste momento acabou a validade e cada um vai para o seu canto. Sem mágoas nem ranger de dentes.

 Imagina a família. De fora uma simetria de presépio. De dentro uma grande presepada. Pai ausente. Mãe desmiolada. E filhos pentelhos. A falta de educação e de respeito pelos demais impera. Ninguém merece ou se merece. Pra que deixar essas vidas infelizes juntas. Seria melhor reconhecer que acabou a validade e cada um seguir seu caminho. Garanto que a humanidade ficaria agradecida.

Imagina no trabalho. Quem vê de longe reconhece uma grande equipe. Mas, um empregado desmotivado e um chefe autoritário acabam com qualquer idéia de belezaproporção e ordem e sem isso não há produtividade e, conseqüentemente, não há lucro. Antes de um pedido de demissão ou de uma justa causa, termina o prazo de validade e cada um vai empregar seu potencial em outro canto e com mais felicidade.

Imagina com hóspede. Na chegada tudo são flores. Comidinhas especiais. Visitas aos pontos turísticos. Mas, como diz uma amiga minha, é que nem defunto, no terceiro dia começa a feder e o que você mais quer é, de volta, o silêncio tranqüilo do seu lar. Nessa hora toca o apito, termina o tempo e tranquilamente seu hospede segue a excursão da vida.

Seria a ordem natural das coisas. Ninguém ficaria ressentido ou zangado. Quando se começasse a sentir aquela coceirinha sinalizando incômodo com alguém ou alguma coisa, seria o indício de que terminou o prazo de convívio e se faz preciso trocar tudo, o conteúdo, a embalagem e, principalmente os conceitos.

 PS: Aos amigos: mi casa, su casa. A foto é da vista da janela.

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Conflitos de gerações  escrito em terça 05 janeiro 2010 19:05

Ai meu Deus como eu pude não me atualizar?

Outro dia convidei um amigo para assistir um filme de assombração. Ele me respondeu que era "muito anos 70”. E eu fiquei me esforçando para lembrar como se chama esse tipo de filme hoje em dia.

Você começa a perceber que anda um pouco fora da ordem quando o filho de seis anos da sua amiga te chama pra brincar de Xbox 360; PlayStation 3; Wii; Nintendo DS Nintendo DS Lite; Nintendo DSi; PSP; Zeebo; OnLive. Explico que não faço idéia do que ele está falando e o garoto acha melhor jogarmos Lego.

Saindo do campo de diversão e indo para o espaço da moda, continuo pagando mico. Sugeri a uma colega de trabalho que ela usasse um collant para realçar as formas esculturais e ela respondeu que assim eu acabaria revelando a idade que, contando com a aparência jovial que tenho, consigo muito bem disfarçar.

É, o tempo passa e as coisas mudam. Agora famoso é celebridade e batata é só um tubérculo. Quando eu era criança andar de bicicleta era batata

Feliz de quem pode desfrutar da companhia dos jovens. Meu coração anda trincado e dia desses busquei um elixir. Pedi a um amigo a filha de nove anos emprestada. Ela me faz um bem danado. Uma vez me disse que eu era o adulto mais criança que ela conhecia.

E é assim que me sinto perto dela. A gente ri, conversa, brinca, lê... de igual para igual. Quer dizer, mais ou menos. Na maioria das vezes ela é a criança mais adulta e legal que conheço. E ainda vou me atualizando.

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Samba da cabeça doida  escrito em quarta 16 dezembro 2009 19:43

Ai meu Deus como eu pude ouvir essas canções

Dia desses li que Stephen King fez um texto falando daquelas músicas que invadem a cabeça da gente e leva dias pra sair. Ele conta que certa vez ao ir ao banheiro, de madrugada, tão logo sentou na privada, começou a cantar a letra de “Macarena”!?

Agora vejam vocês que situação! Na calada da noite, sentado no trono o pobre homem coreografava aquele ritmo frenético que sacudiu boa parte dos seres humanos na década de 90. A canção foi eleita como sendo a segunda mais irritante da história da música pela revista Rolling Stone. Não me perguntem qual desponta em primeiro lugar para não grudar no meu ouvido.

Confesso que fiquei bem feliz com essa história porque também sou assim, vira ou mexe tem uma música tocando insistente no meu inconsciente. Carrego uma verdadeira discoteca dentro do meu cérebro. O problema é que só toca trechos, como aquele disco de vinil arranhado (sei que alguns vão achar que estou falando grego, mas lá em casa ainda tenho tais objetos perfeitamente identificaveis para provar o que digo). E normalmente a música faz parte da categoria “mais brega impossivel”.

Imagina ficar tocando o tempo inteiro na sua cabeça uma música que diz: Tô fazendo amor com outra pessoa / Mais meu coração vai ser pra sempre teu / O que o corpo faz, a alma perdoa (tanta solidão)... na voz de Alcione ???? É... as músicas selecionadas na minha radiola (pra quem não sabe é, ou melhor, era, um aparelho em que se conjugam o rádio e a vitrola) tem interpretes escolhidos a dedo. Não é qualquer um não.

Por causa dessa minha, digamos “mania”, sempre tive um amigo pra sacanear. Um deles, quando estava sem rádio no carro, me chamava pra sair e era só assobiar o inicio de uma canção que eu seguia soltando a voz. Quem me conhece sabe que me ouvir cantar pode ser uma experiência bastante desagradável. Mas isso divertia muito esse amigo.

Outro fazia o cumulo da maldade. Durante um bom tempo, diariamente, me mandava mensagem no celular com um trecho de música bem chata e, é claro, eu passava o resto do dia com aquilo na cabeça.

Mas agora conheço uma pessoa que inverteu esta história e lançou a “Campanha do Descomplicacion".  Segundo a autora é uma tentativa de resgatar o bom humor no mundo; o sorriso no dia a dia; a música na alma. Pode parecer um pouco pretensiosa, mas faz um bem danado. Todos os dias recebemos por e-mail letras de músicas da MPB. Não tem som, somente palavras. Tem o poder de nos fazer conectar com poesias lindas e recordar canções há muito perdida na memória. É impossível não sair por ai cantarolando.

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Quem ama o feio, bonito lhe parece  escrito em quinta 26 novembro 2009 17:32

Ai meu Deus como pude ter trocado de roupa?

Como vocês sabem ando na minha fase Lispectiniana e dia desses li um texto da autora que resumidamente dizia isso: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Vejam parte do relato. ‘Ela não seria bonita, se uma pessoa não a amasse. Mas tinha a beleza que se vê quando se ama o que se vê. Toda mãe de filha feia deveria prometer-lhe que ela seria bonita quando a sabedoria do amor esclarecesse um homem... ’

É ou não é maravilhoso? Fiquei pensando se Vinicius de Moraes, teria lido isso antes de escrever As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental. Confesso que me deu certa preguiça de pesquisa no Google o que Vinicius de Moraes tinha lido de Clarice Lipector.

O mais curioso é que esse texto me veio na mesma semana que fiquei sabendo de mais uma novidade no mundo paralelo da internet, uma rede social, BeautifulPeople, onde para integrar a rede, os internautas passam por um rigoroso processo de avaliação baseado em apenas um critério: os atributos físicos que aparecem em suas fotos.

Homens julgam mulheres e elas os avaliam. Apesar do princípio ditatorial, a entrada é democrática. Se o usuário for bem avaliado pelo sexo oposto nas 48 horas seguintes ao seu cadastro, passa a fazer parte da rede e está apto para mandar mensagens, marcar atividades e interagir com outros aprovados. Pra mim, quem participa de um negocio desse tem muita coragem de colocar a autoestima à prova.

Mas, pelo menos, as adolescentes feias acharam um meio de se safar. Li num jornal, que agora elas usam coloridas pulseiras de plástico que funcionam como código para experiências sexuais (?!). Segundo a reportagem, a moda nasceu na Inglaterra (essas inglesas!!!) e virou febre, é claro, pela internet. A pulseira amarela, por exemplo, representa um abraço, já a azul é sexo oral.

Sei não, esse mundo me parece um pouco maluco. Sou do tempo que menina de família namorava na porta. Lembro do meu primeiro namorado na porta (que só foi pra porta depois que meu pai nos pegou namorando escondido). A primeira vez que ele foi lá em casa, mainha me mandou trocar o short que estava usando, por uma saia mais comportada. Não preciso nem dizer que ele adorou!

 

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Aparências e transparências  escrito em terça 24 novembro 2009 20:41

Ai meu deus como eu pude não me esconder?

Me deparei com meu reflexo numa vitrine na rua e a expressão de tristeza que conservava na face me surpreendeu. Corri para verificar em que pensava para exteriorizar tamanha desilusão.

O que estava passando no canal dos meus pensamentos era um pot-pourri de imagens onde se misturavam holocausto, cracolândia, solidão, fim do mundo, coisas vistas, lidas ou ouvidas nas ultimas horas, seja no jornal, no cinema, no rádio ou na televisão.

Tenho uma amiga que sempre me diz que não preciso de passagem pra começar a viajar. Já dizia o poeta que o pensamento voa quando se começa a pensar.

Mas, voltando a minha expressão, sou assim mesmo. É absolutamente possível saber o que estou pensando e sentindo porque sou mais transparente que a água mais pura (ta bom, há certo exagero aí).

Quem me conhece sabe logo de cara quando estou triste, alegre, com raiva. Há quem diga que isso é uma dádiva, mas às vezes pode ser um karma.

Não dá pra fingir um arrepio ou coisa parecida na hora do sexo, por exemplo. É ou não é? Nem evitar o mundo quando sua maior vontade é estar somente com você mesma.

Para alguns isso é ser bipolar. Outros consideram mau humor crônico. Talvez seja apenas coisa de canceriana.

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