Ai meu Deus como eu pude ouvir essas canções
Dia desses li que Stephen King fez um texto falando daquelas músicas que invadem a cabeça da gente e leva dias pra sair. Ele conta que certa vez ao ir ao banheiro, de madrugada, tão logo sentou na privada, começou a cantar a letra de “Macarena”!?
Agora vejam vocês que situação! Na calada da noite, sentado no trono o pobre homem coreografava aquele ritmo frenético que sacudiu boa parte dos seres humanos na década de 90. A canção foi eleita como sendo a segunda mais irritante da história da música pela revista Rolling Stone. Não me perguntem qual desponta em primeiro lugar para não grudar no meu ouvido.
Confesso que fiquei bem feliz com essa história porque também sou assim, vira ou mexe tem uma música tocando insistente no meu inconsciente. Carrego uma verdadeira discoteca dentro do meu cérebro. O problema é que só toca trechos, como aquele disco de vinil arranhado (sei que alguns vão achar que estou falando grego, mas lá em casa ainda tenho tais objetos perfeitamente identificaveis para provar o que digo). E normalmente a música faz parte da categoria “mais brega impossivel”.
Imagina ficar tocando o tempo inteiro na sua cabeça uma música que diz: Tô fazendo amor com outra pessoa / Mais meu coração vai ser pra sempre teu / O que o corpo faz, a alma perdoa (tanta solidão)... na voz de Alcione ???? É... as músicas selecionadas na minha radiola (pra quem não sabe é, ou melhor, era, um aparelho em que se conjugam o rádio e a vitrola) tem interpretes escolhidos a dedo. Não é qualquer um não.
Por causa dessa minha, digamos “mania”, sempre tive um amigo pra sacanear. Um deles, quando estava sem rádio no carro, me chamava pra sair e era só assobiar o inicio de uma canção que eu seguia soltando a voz. Quem me conhece sabe que me ouvir cantar pode ser uma experiência bastante desagradável. Mas isso divertia muito esse amigo.
Outro fazia o cumulo da maldade. Durante um bom tempo, diariamente, me mandava mensagem no celular com um trecho de música bem chata e, é claro, eu passava o resto do dia com aquilo na cabeça.
Mas agora conheço uma pessoa que inverteu esta história e lançou a “Campanha do Descomplicacion". Segundo a autora é uma tentativa de resgatar o bom humor no mundo; o sorriso no dia a dia; a música na alma. Pode parecer um pouco pretensiosa, mas faz um bem danado. Todos os dias recebemos por e-mail letras de músicas da MPB. Não tem som, somente palavras. Tem o poder de nos fazer conectar com poesias lindas e recordar canções há muito perdida na memória. É impossível não sair por ai cantarolando.

Denise
Seg 08 Mar 2010 12:37